quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ANIVERSÁRIO DO POETA GONGA MONTEIRO


Hoje dia 21 de dezembro o poeta Gonga Monteiro está completando data nova.
Parabéns Poeta!
IV Pajeú em Poesia


Será neste domingo dia 25/12 o IV Pajeú em Poesia. Desta vez o homenagiado da noite será o poeta Diomedes Mariano e terá a presença especial d'As Severinas. Segue abaixo a lista dos poetas já confirmados.

Participações confirmadas:
Dedé Monteiro, João Paraibano, Neide Nascimento, Dudu Morais, Edierck José, Alessandro Palmeira, Andréia Miron, Artemis, Danilo Gonçalves, Edezel Pereira, Elenilda Amaral, Welington Rocha, Esdras Galvão, Genildo Santana, Gonga Monteiro, Lúcio Luiz, Paulo Monteiro, Verônica Sobral, Zé Adalberto e Zé de Mariano.
A Ávore de Natal de Dedé Monteiro

Neste natal o poeta Dedé Monteiro, criativo como sempre, nos presenteia com uma bela e diferente árvore de natal em forma de versos:

(clique na imagem para ampliar)
A poesia escrita é de Dedé e a "poesia gráfica" é do artista de Rafael Pires (sobrinho do poeta).

Valeu poetas!
Belas Tardes de Viola


O Belas Tardes de Viola é um projeto cultural idealizado por Zécarlos do Pajeú e Zipa Nunes que acontece sempre no último domingo de cada mês.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO DO GUIA DE TABIRA

GUIA DE TABIRA


A gente mora em Tabira
Sem saber de tudo dela,
Mas, quem pegar esse guia
Que quase tudo revela
Vai se fartar de surpresa
E poder ver com certeza
O quanto Tabira é bela!

Coisas que a gente só via
Na revista ou no jornal
Do jeito do Park Sol
Clube Campestre local
Bar de Zipa, de Mãozinha
Esse luxo assim só tinha
Pras bandas da capital.

A Feira Livre da gente
Não tem nem comparação
Pizzaria Aconchego
Churrascaria Mourão
Odilon cabra arretado
E a nossa feira de gado
A maior da região.

Poço Escrito, Lar do Idoso
Nevinha, Seu Lau Cordeiro
Artesanato, Pintura
Museu, Bar do Cajueiro,
Poesia em alto plano
Dudú, Zé de Mariano
Genildo e Paulo Monteiro

Santuário Mãe Rainha
Casa de fé e oração
O Calendário Festivo
Nos causa admiração
Pois, festa aqui em Tabira
Chega parece mentira
É um dia e outro não.

Aqui se faz um congresso
De cantador toda hora
Em cada esquina de rua
Tem um poeta que mora
É um no outro topando
Uns já se aposentando
E outros começando agora.

Tabira de Matricó
De canções maravilhosas
Escola de Poesi
Onde os botões viram rosas
Terra de Dedé Monteiro
E a única no mundo inteiro
Que faz a mesa de glosas.

Fica aqui meu abraço
A minha admiração
Primeiramente a Tabira
Nosso querido torrão
Depois abraçar queria
A nobre Secretária
De Administração.

Gonga Monteiro

Tabira, 09/12/2011
Lançamento do Guia de Tabira
e do Cordel: A História de Tabira (Dedé Monteiro)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Reunião


Haverá reunião para os mebros da AJUPTA no próximo sábado (dia 10/12) às 7 horas da noite na escola Arnaldo Alves avalcanti. Contamos com a sia presença.
Lançamento do Guia de Tabira

Venha participar do lançamento do Guia de Tabira. Nele você poderá ver um pouco do que a nossa cidade tem de melhor para oferecer à população local e aos seus visitantes.

Participação especial dos Poetas Tabirenses Dedé Monteiro, Gonga Monteiro e Dudu Morais com o Grupo Pé-de-parede.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Rixa de intelectuais


Poema: Rixa de intelectuais
Autor: Clécio Rimas
(Adaptação do causo de mesmo nome presente no livro “Histórias verídicas de um mentiroso” de Horácio de Almeida)

Na história da humanidade
Em desfruto da ciência
Sempre existiram disputas
No campo da inteligência.
Grandes intelectuais
Já desmentiram outros tais
Com teses, dissertações...
E mesmo através dos anos
Temas tidos “soberanos”
Sofreram contestações...

E Isso foi em todo canto:
Na Grécia, na Roma antiga...
Na Idade Média ou Moderna
Vez por outra surge a briga
De um cientista afamado
Com seu diploma de lado
Defendendo o seu estudo...
E de outro lado, também
Aparece um outro alguém
Pra contestar quase tudo.

Já vi isso em Bananeiras
No Brejo paraibano.
Um município pomposo
Que no seu cotidiano
De cidade de vanguarda
Um velho causo se guarda
Entre dois competidores
Ambos muito inteligentes
E que em debates frequentes
Foram propensos “doutores”.

O primeiro era Carlinhos
De sobrenome “Moreira”
Um grande intelectual
Da terra da bananeira
O segundo (e concorrente)
Deveras inteligente,
E expert afamado
Era Roberto Ribeiro,
Mas, conhecido primeiro
Pelo vulgo “Pau Pelado”.

(e eles discutiam tudo)

Da ação hipocondríaca
Posta pela humanidade
Aos efeitos doentios
Da hiperatividade...
Da crudelíssima ação
Que culmina na extinção
Sequencial ou randômica...
Do complexo do busílis
A importância de bílis
Dentro da ressaca vômica.

E eu sempre participava,
Mesmo que discretamente,
Dessas contendas de ideias
Ouvindo-os atentamente.
Varávamos madrugadas...
Eram discussões voltadas
Pra toda e qualquer matéria;
Foi justo nesse lugar
Que começou a pulsar
Cultura na minha artéria...

Pois bem! Esse dois rapazes
Que acima foram citados
Se transformaram inimigos,
Oponentes declarados.
Quando as comuns discussões
Divergiam opiniões
Cada qual sendo “o mais culto”
Abandonavam o recato
Partiam as vias de fato
Causando grande tumulto.

Quando ambos se encontravam
Abusavam da retórica,
Falavam na norma culta,
Apuravam a metafórica:
“És profuso em inferências
E até mesmo tens ciências,
Mas estúrdio, quando exórdio...
Pois nunca terás vantagem
Já que a sua defasagem
Te torna um ser monocórdio”.

Exclamou isso Moreira
Que obteve prontamente
Revide do Pau Pelado
“Me sinto atinentemente
Na antítese do que dizes
Pois tal qual os aprendizes
Imberbe... irrefutável,
Ignóbil, falastrão...
Teu nome não tem menção
Mero inaproveitável”.

Um dia estava Moreira
Pregando com sua lógica
A hipérbole presente
Na matéria fisiológica.
Diante nossos olhares
Ele apontava pros ares
Com as mãos gesticulando...
Mas fez pausa de repente
Quando viu na sua frente
O seu oposto chegando.

Em semblante descortês
E andar cadenciado,
Com sorrisinho boçal
Se aproximou Pau Pelado...
Nessa hora decisiva
Criou-se a expectativa
Da refrega cultural
E a gente ali, fuxicando
Ficamos observando
Os gestos de cada qual.

Moreira ao ver Roberto
Fechou logo sua cara
Na demonstração visível
Que algo o atormentara.
Já Roberto, em bizarrismo
E também no modernismo
Nato do intelectual
Açoitou seu cabelão
Como que em provocação
Direta pro seu rival.

Mas para o espanto de todos
Roberto, se dirigiu
Com cortesia a Moreira
Para o qual foi e pediu
Pelo seu pente emprestado,
Pois o cabelo assanhado
Necessitava ajustar.
Mas não pediu normalmente
O fez atrevidamente
Só pra desmoralizar.

“Tu terias por ventura
O precioso utensílio
Que a indústria transformou
Num bem para nosso auxílio,
Que usado com excelência
Ajusta nossa excrescência,
O qual displicentemente,
Vocês incautos e incultos,
Pobres biltres e estultos
Os denominam de pente?”

Moreira empalideceu!
Foi ficando enfurecido
Suas mãos se acocharam
Diante o ato atrevido.
Tentou não ficar nervoso...
E de um modo bem airoso
Parou e respirou fundo,
Cofiou a barba rala,
E depois soltou sua fala
Contendo o modo iracundo:

“Eu sinto em decepcioná-lo
Pela frustrante omissão
Pois ao sair do aposento
Da minha predileção
Dar-me-ia pela conta
Pela qual me desaponta
Não constar na minha alçada
Para lhe afirmar, mormente
Que eu não possuo um pente
Filho da puta safada!”

Mais uma vez os “doutores”
Acanalharam o debate.
Deixaram a verve de lado
Em troca de outro combate,
E aqueles dois geniais
Nos fizeram rir demais
Com aquela cena engraçada...
Todo saber concentrado
Num instante foi trocado
Por murro, coice e dentada!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Encontro de Poetas em Serra Talhada

Poetas de todo o Sertão do Pajeú se encontram no próximo sábado (26) na cidade de Serra Talhada. Promovido pela Fundação Casa da Cultura de Serra Talhada em parceria com a Fundação Cabras de Lampião, o ‘Conversa de Escritores do Pajeú para o Mundo’ tem como objetivo colocar em discussão a literatura do Sertão do Pajeú em seu contexto local, nacional e internacional. O evento vai ser realizado ao longo de todo o sábado com exposição de idéias do dramaturgo Adriano Macena e do escritor Wellington de Melo.


De acordo com a Fundação Casa da Cultura, à noite haverá Feira de Artesanato na Concha Acústica – O Marco Zero do município. No local acontecerá o lançamento dos livros ‘Poesia de uma Camareira’ de Cida Flosi; ‘Nas Rédeas da Poesia’, escrito por Dudu Moraes, ‘Cara e Coroa’, de Lima Junior e ‘O Peso do Medo – 30 poemas em fúria’ do escritor Wellington de Melo. Antes do encerramento do encontro vai ser realizada uma declamatória de poesias com os poetas Paulo Moura, Dedé Monteiro, Antonio Moraes, Neide Nascimento, Felipe Júnior, entre outros. Apresentação musical com um cantor local finaliza o evento.
Homenagem a Lampião



A escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, uma das maias importantes do grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, vai falar sobre a literatura de cordel em 2012. O enredo tem o título "Cordel Branco e Encarnado" e será desenvolvido pelo carnavalesco da escola, Renato Lage. Na letra da música, que o blog antecipa em primeira mão, há citação ao nome de Lampião, figura histórica da cultura serra-talhadense. A figura de Lampião receberá destaque no desfile da escola.

I Encotro de Bacamarteiros de Tabira


Nesta tarde de domingo na Terra das Tradições aconteceu mais um grande evento cultural, no engenho de Albino Pereira os bacamarteiros e os poetas poderam mostrar um pouco do trabalho que fazem com o maior orgulho, participaram abrilhantando os poetas Zé de Mariano, Dedé Monteiro, Gonga Monteiro, Paulo Monteiro, Dudu Morais, Genildo Santana, James Amaral, Zé Carlos do Pajeú, Eniel e muitas outras personagens da cultura tabirense, que mostraram um pouco do que são capazes, o encerramento foi com o artista Edierk de Afogados da Ingazeira que sempre prestigia as coisas da nossa terra, e finalizando com uma deliciosa sopa.


O grande pensador e organizador foi o artista tabirense Paulo Matricó que mostra cada vez mais a sua preocupação em elevar o nome da cultura tabirense.

E o poeta Albino Pereira disse asssim:


A RIÚNA E O BACAMARTE
SÃO COISAS DA NOSSA TERRA.
JÁ FORAM ARENAS DE GUERRA,
MAS HOJE É CULTURA E ARTE
SEMPRE ESTÃO EM TODA PARTE
NAS NOVENAS DO SERTÃO.
SEU TIRO É COMO UM TROVÃO,
PARECENDO RELAMPEJOS
ABRILHANTANDO OS FESTEJOS
DAS NOITES DE SÃO JOÃO.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

I Encontro de Bacamarteiros de Tabira



O primeiro encontro cultural dos bacamarteiros de Tabira será domingo dia 20/11, ás 15 horas no engenho do poeta Albino Pereira, sítio Fazenda Nova.

Confira a programação:
15:00hs - Assembléia geral da associação dos bacamarteiros
16:00hs - Show poéico musical: poetas da APPTA, AJUPTA, violonista Edierck José (Afogados da Ingazeira), Paulo Matricó
18:00 hs - Apresentação dos bacamarteiros de Tabira.

A entrada é franca.

Promoção: Associação dos Bacamarteiros de Tabira.
Coordenação: Paulo Matricó
Apoio: Fundarpe

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Farra poética no Sesc Santa Rita em Recife

Hoje (10/11/11) às 19h, haverá o recital "Farra Poética" com declamações dos poetas Marcos Passos, Clécio RimasKerlle de Magalhães e Glayson Nascimento.

O Farra Poética é um encontro realizado mensalmente no Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira com objetivo de apresentar recitais poéticos, intervenções literárias, de forma espontânea e informal. É um encontro noturno, onde o espaço torna-se um lugar de conversa e trocas com artistas da cidade e convidados. O escritor Marcos Passos é o convidado para agitar e coordenar esse encontro com o público que pode participar das atividades, mostrando seus trabalhos literários.

Todo mundo lá!

Serviço:
Farra Poética do Sesc Santa Rita
Quando: quinta-feira (10/11/11)
Horário: 19h
Onde: Sesc Santa Rita – Cais de Santa Rita, 156, São José, Recife
Entrada Gratuita
Mais informações: (81) 3224.7577

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Reunião



Atenção integrantes da AJUPTA, haverá reunião no próximo sábado (12/11) ás 7 horas da noite na escola Arnaldo Alves, não perca.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nostalgia

Neste sábado dia 05/10 acontecerá, no Clube de Campo, mais uma edição da tradicional Festa dos Anos 60. O show será comandado pela Orquestra Super Oásis.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Soneto e o Poeta

Com vocês, Bio de Crisanto, o poeta da janela (ou "o poeta filósofo"):


(Por Geraldo Palmeira, sobrinho do poeta Bio)

Severino Cordeiro de Sousa (Bio de Crisanto), nasceu aos 09 de maio de 1929, no povoado São Vicente, na época município de São José do Egito. Filho de Crisântemo Olegário de Sousa e Blandina Maciel de Sousa, nos seus primeiros anos de vida foi residir em Sumé – PB, retornando à Capital da Poesia já adolescente. Aos oito anos de idade, escreveu sua primeira poesia, “Vida na Roça”. A partir daí a arte do versejar tomou conta da sua vida e, junto ao irmão Macilon Olegário de Sousa, foi cantador de viola durante três anos.

Na década de 50, logo após o falecimento de seu genitor, Bio de Crisanto mudou-se para Jacobina – BA, onde exerceu outras atividades profissionais. Naquela cidade, em novembro de 1959, por excesso de trabalho, sofreu um esgotamento físico e foi hospitalizado. Uma enfermeira sem conhecimentos anatômicos aplicou-lhe uma injeção no glúteo onde a agulha atingiu a cartilagem do tendão de locomoção. A partir dessa data o poeta não andaria mais.

No início da década de 60, Bio retorna a São José do Egito e começa sua luta para adequar-se a doença que o acometeu. Depois de morar alguns anos com a família, decide residir sozinho.

Grandes companheiros de suas horas de solidão foram amigos, familiares e os livros. Foi principalmente na dedicação à leitura que Bio de Crisanto superou suas mágoas e, na poesia, expôs toda sua sentimentalidade, valorização ao regionalismo e teorias sobre a vida. A arte do pensar foi a grande responsável pelo título que recebeu: “Poeta Filósofo”.

Na década de 60, em períodos tensos de nossa história, Bio escreveu “Fase Semi-Feudal”, poema consagrado que lhe rendeu elogios além fronteiras pernambucanas. Por se tratar de versos hostis ao regime militar, nenhuma das suas 14 estrofes foi publicada no seu livro.

Em 1975, o sonho de publicar um livro é realizado. Prefaciado pelo grande amigo e poeta Aleixo Leite Filho, Bio de Crisanto lança “Meu Trigal”, um composto de prosa e versos. Na obra, o poeta conduz o leitor aos seus pensamentos filosóficos e envereda na poesia, dando ênfase ao estilo soneto.

Nas horas de conversa, quase sempre debruçado na janela de sua residência, localizada na Rua do Poeta, denominação escolhida em sua homenagem, Bio atendia inúmeros estudantes em busca de conhecimentos, levantava importantes assuntos ao lado de amigos e sempre que outro poeta o visitava, a glosa tomava conta do ambiente.

Na década de 90 foi fundador do Clube de Cultura Literária, entidade que por mais de dez anos foi instrumento forte na promoção cultural da Região. Ainda nessa época, participou de diversos concursos de poesia, obtendo os primeiros lugares.

Membro da União Brasileira de Escritores, teve alguns de seus poemas publicados em jornais e nos livros “São José do Egito – Musa do Pajeú” e “São José do Egito – Solo Sagrando, Mentes Iluminadas”.

Bio de Crisanto faleceu com 71 anos, aos 22 de agosto de 2000. Seus poemas inéditos estão sendo catalogados e serão inseridos na publicação de seu segundo livro “Meu Madrigal”, título escolhido pelo poeta antes de sua morte. O novo livro trará, também, todo o conteúdo da primeira publicação.

Abaixo você pode contemplar os versos deste grande poeta:

DÚVIDA

Nasci! De onde vim é que não sei,
Enfim também não sei para que vim,
Se vim para voltar para que fiquei
Neste intervalo de incerteza assim?

Não foi do pó fecundo que brotei,
Não sei quem tal missão me impôs.
O acaso não foi, já estudei...
Desta incumbência desconheço o fim.

Sou a metamorfose das moneras
Desagregadas nas primeiras eras,
Reunidas hoje nesta luta infinda.

Sou a passagem irreal da forma
Submetida aos desígnios da norma,
Do meu princípio não sei nada ainda.

(Bio de Crisanto)


NO SERTÃO ANTIGO

Um moleque no corte assobiando,
Um cavalo pastando na ladeira,
Uma briga de bois na bagaceira,
E um boeiro malfeito "cachimbando".

Um novilho pé-duro ruminando
Na sombra do oitão da bolandeira,
Um telhado coberto de poeira,
E um rebanho de ovelhas descansando.

Dois bois mansos criolos atrelados,
Parecidos em tudo, emparelhados,
Vão puxando a almanjarra sem preguiça.

Enquanto várias campesinas belas
Aparecem cantando nas janelas
Duma casa de alpendre à tacaniça.

(Bio de Crisanto)


NA BORBOREMA


O Sol desponta ruivo cor de gema,
Iluminando o pico magestoso,
Do gigantesco dorso sinuoso
Da tão acidentada Borborema.

No sopé da montanha geme a ema,
E embaixo o terreno podregoso,
Ouve-se o canto ingênuo e harmonioso
Da inocente pernalta, a seriema.

Chove,troveja, e o vento forte agita,
A flora se sacode, a fauna grita,
Um raio irado desce e a penha abre.

Agora é tarde, o Sol rubro descamba,
E rodopiando como roda bamba
Apaga a luz detrás da Serra-Jabre.

(Bio de Crisanto)
Balaio Cultural de Novembro

Confira a programação do próximo Balaio Cultural de Tuparetama:

(Clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

II Grande Festival de Poetas Repentistas de Tabira

Zecarlos do Pajeú convida todos poetas e admiradores da cantoria para mais uma edição do Grande Festival de Poetas Repentistas de Tabira que acontecerá no dia 19 de novembro de 2011, no Skina Club em Tabira, a partir das 20:30.
A primeira edição do festival homenageou a escritora Nevinha Pires, e este ano o homenageado da vez será nosso querido poeta Dedé Monteiro:

As duplas participantes e os poetas declamadores e convidados você pode conferir no cartaz:

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Muita emoção no lançamento do 1° livro de Dudu Morais "NAS RÉDEAS DA POESIA"

Confira as fotos do lançamento do livro "Nas Rédias da Poesia", do poeta Dudu Morais, que aconteceu domingo passado (23/10) no Skina Club em Tabira. Foi uma festa muito bonita com muita poesia, emoção e forró de tradicional. As fotos são de Claúdio Gomes:


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Retratos do Sertão em Arcoverde

Nesta sexta-feira, 21 de Outubro, Arcoverde recebe dois grandes espetáculos com recital, declamações, performances, encontro de poetas de várias regiões e estilos, causos e lançamentos de livros.


Baseado numa proposta de difusão da arte dos poetas nordestinos, de pouca ou nenhuma projeção literária, que o poeta, declamador, apologista, produtor cultural e escritor Marcos Passos idealizou sua ANTOLOGIA POÉTICA RETRATOS DO SERTÃO, que reúne oitenta e nove poetas, entre eles Chico Pedrosa, Dedé Monteiro, Jessier Quirino, Maciel Melo e a dupla de repentistas João Paraibano e Sebastião Dias, todos retratando o sertão alegre com seus costumes e sua natureza exuberante. A segunda parte do livro traz uma homenagem a quinze saudosos poetas, entre os quais Antonio Marinho, Pinto do Monteiro, Rogaciano leite, Lourival Batista, Manoel Filó, Jó Patriota.

Marcos é co-autor e organizador dos livros NOS PASSOS DA POESIA - de autoria de sua mãe, a poetisa Beatriz Passos, e da coletânea de galopes a beira-mar, com a presença de 60 poetas, intituladaAMORES PERFEITOS NA BEIRA DO MAR. Está preparando uma homenagem em prosa e verso a um dos maiores compositores nordestinos, Zé Marcolino. O livro trará o título CONVERSAS SEM PROTOCOLO.
Para a apresentação e o lançamento do livro o poeta marcos Passos contará com a participação luxuosa de poetas dos mais variados matizes, a exemplo de:

Gabrielle Vitoria de Lira (Luna Vitrolira), Recife, vencedora da 6ª Recitata - concurso de poesia do Festival Recifense de Literatura A Letra e A Voz, Free porto, Bienal do Livro 2009. Trabalha nas áreas de poesia, declamação performática, composição musical e atuação cênica.

Kerlle Magalhães Lima, Kerlle de Magalhães, Arcoverde-PE. Membro da União dos cordelistas de Pernambuco, fez seus primeiros cordéis aos vinte e um anos de idade, destacando-se: Em busca da chuva; O coice do preá; Lampião, arretado de escapulir torrão, entre outros

Poeta popular(declamador e glosador),Clécio Ferreira de Lima,Serra Talhada-PE. Mudou-se para Tabira aos 4 anos de idade, sendo praticamente criado nesta cidade. É músico percussionista, tendo preferência e domínio pelo pandeiro. Participou das 13º e da 15ª Mesa de Glosas do Sertão do Pajeú-Tabira-PE/ 2009 e 2011, Coletânea “Cem poetas sem livros” (Litera PE) /Recife-PE/2009 e no livro “1ª Antologia de Tabira – Prosa e Poesia”. Tabira-PE/2008.
A apresentação do evento ficará por conta do Profº Edison.
(Fonte: Blog No pé da parede)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lançamento: Nas Rédias da Poesia

Será no dia 23 deste mês (outubro), no Skina Club, a partir das 20 hrs, o tão esperado lançamento do livro do poeta Dudu Morais. O "Nas Rédias da Poesia" será a primeira obra desde grande poeta que vem surpreendendo todos com a facilidade com que faz poesia (e que poesia viu!).
Está na programação o cantor Fábio Luiz, o trio As Severinas, o grupo Pé de Parede (do qual Dudu faz parte), os poetas da APPTA e da AJUPTA e convidados.



Uma amostra dos versos do poeta:

No momento em que tudo silencia
Minha alma também fica calada
E assim, quase toda madrugada
a razão do meu ser se distancia

Muitas vezes fazendo poesia
Nossa história de amor é externada
E entre amante, mulher e namorada
Classifico você como o meu dia

O meu dia por que trás essa luz
Que ilumina minha vida e que seduz
Com a força que tem quando irradia

E uma noite de amor me faz depois
Delirar com os gemidos de nós dois
NO MOMENTO EM QUE TUDO SILENCIA.

(Dudu Morais)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Belas Tardes de Viola

Venha conferir mais um grande evento da nossa cultura, uma tarde de muita cantoria e declamações:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma Cara de Poesia & Uma Coroa de Sonetos

Lima Júnior é quem lhe convida:

Pontos de Vista, Giuseppe Ghiaroni



PONTOS DE VISTA


Na minha infância,quando eu me excedia
quando eu fazia alguma coisa errada
se alguém ralhava minha mãe dizia
... -Ele é criança, não entende nada!

Por dentro eu ria satisfeito e mudo.
Eu era um homem, entendia tudo.

Hoje que escrevo hitórias e poemas
e pareço ter tido algum estudo
dizem quando me vêem com os meus problemas:
-Ele é um homem,ele entende tudo!

Por dentro, alma confusa e atarantada
eu sou criança, não entendo nada. ...

(Giuseppe Ghiaroni)
O Cego, o Guia e Gonga Monteiro
 













Gonga Monteiro, grande poeta Tabirense, irmão de Dedé Monteiro, certa vez escreveu a história da esperteza de um guia e a inocência de um cego. Com seu humor ímpar, o poeta nos envolve com seus causos, que contam sempre com um final surpreendente, duvida? É só ler abaixo:

O CEGO E O GUIA


Um compadre meu um dia
Contou-me um caso engraçado
Dum ceguinho que pedia
Na calçada do mercado.
Passava o dia pedindo,
O povo entrando e saindo,
Quand’um não dava outro dava.
E ele, nos louvores seus,
Dizia: “graças a Deus!”
Quando uma esmola ganhava.

Mais ou menos meio dia,
O sol quente feito brasa,
As esmolas recolhia
Pra levar tudo pra casa.
Dava um assovio fino,
Aí chegava um menino
Que eu não sei donde saía
E, alguns minutos depois,
Dividia o saco em dois,
Um pra ele, outro pro guia.

Nos sacos tinha de tudo:
Milho, farinha, feijão,
Doce pequeno e graúdo,
Biscoito, bolacha e pão,
Manga, laranja, banana,
Uma garrafa de cana,
Não que o povo tenha dado;
É que o cego cachaceiro,
Depois que conta o dinheiro
Compra a cana no mercado.

Mas deixe a cana de lado,
Nenhum crime nisso eu vejo.
Na saída do Mercado
Ganharam um taco de queijo.
E o guia falou: “Ceguinho,
Quando chegar no caminho
Esse queijo a gente come?”
E o cego, de voz maneira:
“Na sombra da ingazeira
Vamos matar nossa fome.”

O guia era uma beleza:
Desenrolado e ladrão.
Se o patrão desse moleza
Ele roubava o patrão…
E como o patrão não via,
Foi então aí que o guia
Deu uma de espertinho,
Enganando o pobre cego,
Tirando o bucho do prego,
Comendo o queijo sozinho.

Chegando no pé de ingá,
Botaram os sacos no chão
E o ceguinho disse: “Vá,
Desamarre o matulão…
Tire esse queijo pra fora
Que eu acho que está na hora
De alimentar a matéria:
Você se fortificar
E eu também quero tirar
A barriga da miséria.”

O condenado do guia,
Se fazendo de inocente,
Virava o saco e dizia
Ao patrão deficiente:
“Pode ter acontecido
Desse queijo ter caído…”
E o cego, contrariado,
Ao sujeito respondia:
“Como é que o queijo caía
Se o saco estava amarrado?

Deixe de senvergonheza!
Conte o que aconteceu,
Que eu tenho quase certeza
Que foi você quem comeu!
Eu tava desconfiado
Que você vinha calado
Desde o centro da cidade…
Cabra da vergonha pouca,
Deixe eu cheirar sua boca
Que a gente sabe a verdade…

Aí o pobre do guia
Ficou sem jeito e sem clima,
Sem saber o que faria.
Pra dar a volta por cima…
Tirou a roupa ligeiro,
Colocou o “fevereiro”
Assim de boca pro ar
E cochichou em voz rouca:
“Tá aqui a minha boca,
Se quiser pode cheirar…”

O cego botou a venta
No fê-o-fó do rapaz,
Disse: “Eita coisa nojenta!
Tu tás fedendo demais!”
Depois disse assim: “Menino,
Eu a ninguém recrimino,
Cada um faz o que gosta.
Você não comeu meu queijo,
Mas pelo jeito que eu “vejo”,
Meu “fi” tá comendo é bosta!…”

(Gonga Monteiro)
Balaio Cultural de Tuparetama

Acontecerá hoje (dia 07/10) mais uma edição do Balaio Cultural de Tuparetama. Será uma festa com apresentações culturais diversificadas. Confira a programação no cartaz:

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pra Quem "Tá na Capitá"

É hoje!, se eu tivesse lá eu ia...

Noite dos Campeões da Viola

Terça-feira, dia 11/10, João Paraibano promoverá uma noite de muita poesia, a partir das 20 hrs, em Afogados da Ingazeira no MG Bar. Será imperdível.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

15ª Mesa de Glosas do Pajeú: Vídeos separados pela ordem dos Motes

Poetas participantes da Mesa "A": Edezel Pereira, Zé Adalberto, Dimas Feitosa, Genildo Santana, Clécio Rimas, Gonga Monteiro e George Alves.








Poetas participantes da Mesa "B": Dudu Morais, Caio Menezes, Paulo Matricó, Felipe Amaral, Josivaldo Rodrigues, Genildo Pitú, Aderval Soares e Zécarlos do Pajeú.







PS: Devido problemas técnicos durante a gravação, alguns versos do último vídeo da Mesa "B" ficaram incompletos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poeta Zé de Mariano



EU E MEU LUGAR

Não me importa se alguém diga
Que sou poeta rasteiro
Que só falo em marmeleiro
Jurema preta e urtiga
Quem não quiser não me siga
Não fico contrariado
É que eu fui contaminado
Com a virose da pureza
Pra não fugir da beleza
Do lugar que fui criado.


Eu que sempre me encantei
Com o canto agudo do galo
Com a folha seca no talo
No lugar que me criei
Com as horas que descansei
Na sombra de um juazeiro
Como eu seria rasteiro
Se esquecesse a maneira
Do ringido da porteira
Despertando o tabuleiro.


Meu linguajar sertanejo
Meu jeitão de arigó
Minha espingarda o bogó
Pra mim é meu galantejo
Meu roçado quando vejo
Com o verde que DEUS criou
Se eu não fosse o que sou
Além de ser mal sujeito
Vivia mordendo o peito
Da mãe que me amamentou.


Quando esquecer minha terra
Que dei meus primeiros passos
Pra me juntar aos fracassos
Daqueles que falam em guerra
Trocar o meu pé de serra
Por casas a beira mar
Minha rede de pescar
Por redes feitas de lã
Nunca mais serei fã
Das coisas do meu lugar.


Como eu me comportaria,
Morando em um palacete
Sem pote e sem tamborete
Com luxo e com mordomia?
Com ressacas de orgia
Taças de champanhe na mão
Tendo o mar por inspiração
Ou o canto da sereia?
Mas prefiro a lua cheia
No céu azul do sertão.


Eu tenho medo que DEUS
Se negue a perdoar
Se eu deixar o meu lugar
Pra viver longe dos meus
E quando eu disser adeus
Bem na hora da partida
Uma saudade atrevida
Que me levasse guia
Ficasse por companhia
Pra o resto da minha vida.


Não quero ser endeusado
Defendendo a terra alheia
O cheiro da minha aldeia
Me deixa contagiado
Embora viva humilhado
Por quem não sabe o que tem
Mas mesmo assim vivo bem
Com minha sinceridade
Pobreza com honestidade
Não faz vergonha a ninguém.


Quero acordar bem cedinho
Pra vê os pássaros cantando
Alguns deles trabalhando
Na construção de seu ninho
Dar bom dia ao meu vizinho
Ouvir bom dia seu Zé
Tabira ficar de pé
E o tabirense escutando
Um poeta declamando
Um poema de Dedé.

(Tabira 24/01/2009)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Resposta de Alexandre Morais



Dedé é mesmo traquino,
Em tudo mete seu dedo,
Já espalhou o segredo
Da triste queda de Albino.
Fedido feito um suíno,
Albino não fez sermão,
Mas Dedé não guardou, não,
O segredo do gigante
Espalhou no mesmo instante
A queda do Bigodão.

(Alexandre Morais)

CAFÉ COM POESIA

A AJUPTA esteve presente participando do 1º Café da Manhã com Poesia que aconteceu no dia 20 de setembro na Prefeitura em homenagem ao Dia do Funcionário Público Municipal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mais uma do Mestre Dedé Monteiro

 A QUEDA DO BIGODÃO

Fazenda Nova de Higino,
Passagem pra Borborema,
Lugar que vale um poema
Ao doce toque do sino.
Chão que inspirou mestre albino
A compor verso e glosar;
Que fez Matricó sonhar
Pra nos dar como oferenda:
“Canção da Lua”, “Moenda”
Mais “Apreço ao meu Lugar”!

A casa antiga, o engenho,
O rio, a roça, o açude
E a saudade em plenitude
Eternizando o desenho.
Pelas notícias que tenho,
Foi sempre um lugar de paz,
Que ainda guarda os sinais
De um tempo maravilhoso,
Enternecido e saudoso
Que eu sei que não volta mais.

Quantas noites (que alegria!)
Ante o luar reluzente,
O calçadão do nascente
Não se banhou de poesia?!
Durante o mês de Maria,
Em comprovação de fé,
Gente sentada e de pé,
Em frente à mesa florida,
Quanta oração dirigida
À Virgem de Nazaré!

As moagens (que beleza!)
Quanta suada doçura!
Garapa, mel, rapadura...
Como se fosse uma empresa.
Alfenim – delicadeza
Com seu formato de flor.
Antes, bois; depois, motor,
Dando adeus à tradição
E aguçando a inspiração
De um poeta sonhador...

Mas, nesse ambiente lindo,
Calmo e tradicional
Ouve uma quase tragédia
Co’o comandante atual:
Albino, o mesmo que tinha
“Desprezado” Terezinha,
Em vez de lhe dar carona,
Se armou de raiva e carroça
Para entupir uma fossa
Que acidentou sua dona.

A fossa da casa velha,
Que desativada estava,
Afundou com Têca em cima,
Quando menos se esperava...
Na descida da “cisterna”,
Quase que quebra uma perna
E o mundo ficou opaco...
Depois, correu pro banheiro
Pra se livrar do mal cheiro
Do que encontrou no buraco...

Isso foi na sexta-feira.
Na quarta, Albino, nervoso,
Começou encher de terra
O socavão mal cheiroso.
Usando um carro de mão,
Fez muitas listas no chão,
Sem fazer conta das vezes,
Tombando a terra que vinha
Da nova fossa que tinha
Construído há poucos meses.

Com terra à disposição
E uma carroça enfadada,
Tava declarada guerra
À cratera escancarada.
Na vontade de tapar,
Nem veio a desconfiar
Que a laje-casca-de ovo,
Entregue às mãos do desprezo,
Suportando aquele peso,
Pudesse afundar de novo...

E foi o que aconteceu
Com nosso mestre da rima:
O carro travou a roda
E o vate voou por cima...
No tranco da barrocheira,
A laje arriou inteira,
Como uma fera ferida...
E, acompanhando o entulho,
Albino deu o mergulho
Mais fedorento da vida...

Pior de tudo foi que
Foi de cabeça pra baixo
O mergulho que ele deu
Naquele imundo “riacho”...
Quando do mundo deu fé,
Tava ensopado do pé
Até a ponta da venta...
E, em meio a tanto aperreio,
Bebeu quase um copo e meio
Daquela borra nojenta...

Ninguém sabia se estava
Nu, de terno ou de pijama...
Parecia um papangu
Fantasiado de lama...
Têca tentou ajudar...
E Albino: “pode parar,
Não precisa desespero.
Como eu não tô vendo nada,
Me guie, passada a passada,
Na direção do banheiro...”

Mesmo sorrindo que só,
Mas controlada e baixinho,
Improvisando um bastão,
Ela ensinou-lhe o caminho.
Tirou o traje de bicho...
- Têca, sacuda no lixo!
- Sacudo não, vá você!...
O cabelo, uma “prastada”,
E a bota, cheia, lotada,
Só não sei dizer de quê...

E Têca, pra fazer farra,
Inda puxou confusão:
- Mesmo assim diz que eu caí
Por não prestar atenção...
Por acaso tu prestaste
Quando a carroça enganchaste?
Diz aí, seu pomba-lerda!
Até teu bigode caro,
Charmoso, elegante e raro
Tá chamuscado de merda!...

No banho, foi necessário
Meia barra de sabão,
Caco de telha, sabugo,
Pinho-sol, pano de chão...
Passou perfume também,
E, ainda sem cheirar bem,
Foi ao hospital, vexado,
Pensando de si pra si:
“Pelo caldo que eu bebi,
Tô todo contaminado...”

- Doutor, por amor de Deus,
Só você pra me ajudar...
Agilize uma “lavagem”
Pra me descontaminar.
- Por que faz esta proposta?
- Mergulhei num mar de bosta,
E ainda bebi um pouco...
- Calma, poeta, se aguente,
Tenho uma droga potente
Pra lhe tirar do sufoco.

Aplicou-lhe uma injeção
Importada e garantida,
E explicou: “você, com esta,
Vai passar dos cem de vida!”
- Tá certo, doutor, brigado!
Eu só tô preocupado
Porque tenho a impressão
Que algum cristão fofoqueiro
Que passou no meu terreiro
Contou pra Dedé Monteiro
“A QUEDA DO BIGODÃO”...

(Dedé Monteiro)