sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pontos de Vista, Giuseppe Ghiaroni



PONTOS DE VISTA


Na minha infância,quando eu me excedia
quando eu fazia alguma coisa errada
se alguém ralhava minha mãe dizia
... -Ele é criança, não entende nada!

Por dentro eu ria satisfeito e mudo.
Eu era um homem, entendia tudo.

Hoje que escrevo hitórias e poemas
e pareço ter tido algum estudo
dizem quando me vêem com os meus problemas:
-Ele é um homem,ele entende tudo!

Por dentro, alma confusa e atarantada
eu sou criança, não entendo nada. ...

(Giuseppe Ghiaroni)
O Cego, o Guia e Gonga Monteiro
 













Gonga Monteiro, grande poeta Tabirense, irmão de Dedé Monteiro, certa vez escreveu a história da esperteza de um guia e a inocência de um cego. Com seu humor ímpar, o poeta nos envolve com seus causos, que contam sempre com um final surpreendente, duvida? É só ler abaixo:

O CEGO E O GUIA


Um compadre meu um dia
Contou-me um caso engraçado
Dum ceguinho que pedia
Na calçada do mercado.
Passava o dia pedindo,
O povo entrando e saindo,
Quand’um não dava outro dava.
E ele, nos louvores seus,
Dizia: “graças a Deus!”
Quando uma esmola ganhava.

Mais ou menos meio dia,
O sol quente feito brasa,
As esmolas recolhia
Pra levar tudo pra casa.
Dava um assovio fino,
Aí chegava um menino
Que eu não sei donde saía
E, alguns minutos depois,
Dividia o saco em dois,
Um pra ele, outro pro guia.

Nos sacos tinha de tudo:
Milho, farinha, feijão,
Doce pequeno e graúdo,
Biscoito, bolacha e pão,
Manga, laranja, banana,
Uma garrafa de cana,
Não que o povo tenha dado;
É que o cego cachaceiro,
Depois que conta o dinheiro
Compra a cana no mercado.

Mas deixe a cana de lado,
Nenhum crime nisso eu vejo.
Na saída do Mercado
Ganharam um taco de queijo.
E o guia falou: “Ceguinho,
Quando chegar no caminho
Esse queijo a gente come?”
E o cego, de voz maneira:
“Na sombra da ingazeira
Vamos matar nossa fome.”

O guia era uma beleza:
Desenrolado e ladrão.
Se o patrão desse moleza
Ele roubava o patrão…
E como o patrão não via,
Foi então aí que o guia
Deu uma de espertinho,
Enganando o pobre cego,
Tirando o bucho do prego,
Comendo o queijo sozinho.

Chegando no pé de ingá,
Botaram os sacos no chão
E o ceguinho disse: “Vá,
Desamarre o matulão…
Tire esse queijo pra fora
Que eu acho que está na hora
De alimentar a matéria:
Você se fortificar
E eu também quero tirar
A barriga da miséria.”

O condenado do guia,
Se fazendo de inocente,
Virava o saco e dizia
Ao patrão deficiente:
“Pode ter acontecido
Desse queijo ter caído…”
E o cego, contrariado,
Ao sujeito respondia:
“Como é que o queijo caía
Se o saco estava amarrado?

Deixe de senvergonheza!
Conte o que aconteceu,
Que eu tenho quase certeza
Que foi você quem comeu!
Eu tava desconfiado
Que você vinha calado
Desde o centro da cidade…
Cabra da vergonha pouca,
Deixe eu cheirar sua boca
Que a gente sabe a verdade…

Aí o pobre do guia
Ficou sem jeito e sem clima,
Sem saber o que faria.
Pra dar a volta por cima…
Tirou a roupa ligeiro,
Colocou o “fevereiro”
Assim de boca pro ar
E cochichou em voz rouca:
“Tá aqui a minha boca,
Se quiser pode cheirar…”

O cego botou a venta
No fê-o-fó do rapaz,
Disse: “Eita coisa nojenta!
Tu tás fedendo demais!”
Depois disse assim: “Menino,
Eu a ninguém recrimino,
Cada um faz o que gosta.
Você não comeu meu queijo,
Mas pelo jeito que eu “vejo”,
Meu “fi” tá comendo é bosta!…”

(Gonga Monteiro)
Balaio Cultural de Tuparetama

Acontecerá hoje (dia 07/10) mais uma edição do Balaio Cultural de Tuparetama. Será uma festa com apresentações culturais diversificadas. Confira a programação no cartaz:

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pra Quem "Tá na Capitá"

É hoje!, se eu tivesse lá eu ia...

Noite dos Campeões da Viola

Terça-feira, dia 11/10, João Paraibano promoverá uma noite de muita poesia, a partir das 20 hrs, em Afogados da Ingazeira no MG Bar. Será imperdível.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

15ª Mesa de Glosas do Pajeú: Vídeos separados pela ordem dos Motes

Poetas participantes da Mesa "A": Edezel Pereira, Zé Adalberto, Dimas Feitosa, Genildo Santana, Clécio Rimas, Gonga Monteiro e George Alves.








Poetas participantes da Mesa "B": Dudu Morais, Caio Menezes, Paulo Matricó, Felipe Amaral, Josivaldo Rodrigues, Genildo Pitú, Aderval Soares e Zécarlos do Pajeú.







PS: Devido problemas técnicos durante a gravação, alguns versos do último vídeo da Mesa "B" ficaram incompletos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poeta Zé de Mariano



EU E MEU LUGAR

Não me importa se alguém diga
Que sou poeta rasteiro
Que só falo em marmeleiro
Jurema preta e urtiga
Quem não quiser não me siga
Não fico contrariado
É que eu fui contaminado
Com a virose da pureza
Pra não fugir da beleza
Do lugar que fui criado.


Eu que sempre me encantei
Com o canto agudo do galo
Com a folha seca no talo
No lugar que me criei
Com as horas que descansei
Na sombra de um juazeiro
Como eu seria rasteiro
Se esquecesse a maneira
Do ringido da porteira
Despertando o tabuleiro.


Meu linguajar sertanejo
Meu jeitão de arigó
Minha espingarda o bogó
Pra mim é meu galantejo
Meu roçado quando vejo
Com o verde que DEUS criou
Se eu não fosse o que sou
Além de ser mal sujeito
Vivia mordendo o peito
Da mãe que me amamentou.


Quando esquecer minha terra
Que dei meus primeiros passos
Pra me juntar aos fracassos
Daqueles que falam em guerra
Trocar o meu pé de serra
Por casas a beira mar
Minha rede de pescar
Por redes feitas de lã
Nunca mais serei fã
Das coisas do meu lugar.


Como eu me comportaria,
Morando em um palacete
Sem pote e sem tamborete
Com luxo e com mordomia?
Com ressacas de orgia
Taças de champanhe na mão
Tendo o mar por inspiração
Ou o canto da sereia?
Mas prefiro a lua cheia
No céu azul do sertão.


Eu tenho medo que DEUS
Se negue a perdoar
Se eu deixar o meu lugar
Pra viver longe dos meus
E quando eu disser adeus
Bem na hora da partida
Uma saudade atrevida
Que me levasse guia
Ficasse por companhia
Pra o resto da minha vida.


Não quero ser endeusado
Defendendo a terra alheia
O cheiro da minha aldeia
Me deixa contagiado
Embora viva humilhado
Por quem não sabe o que tem
Mas mesmo assim vivo bem
Com minha sinceridade
Pobreza com honestidade
Não faz vergonha a ninguém.


Quero acordar bem cedinho
Pra vê os pássaros cantando
Alguns deles trabalhando
Na construção de seu ninho
Dar bom dia ao meu vizinho
Ouvir bom dia seu Zé
Tabira ficar de pé
E o tabirense escutando
Um poeta declamando
Um poema de Dedé.

(Tabira 24/01/2009)