quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Retratos do Sertão em Arcoverde

Nesta sexta-feira, 21 de Outubro, Arcoverde recebe dois grandes espetáculos com recital, declamações, performances, encontro de poetas de várias regiões e estilos, causos e lançamentos de livros.


Baseado numa proposta de difusão da arte dos poetas nordestinos, de pouca ou nenhuma projeção literária, que o poeta, declamador, apologista, produtor cultural e escritor Marcos Passos idealizou sua ANTOLOGIA POÉTICA RETRATOS DO SERTÃO, que reúne oitenta e nove poetas, entre eles Chico Pedrosa, Dedé Monteiro, Jessier Quirino, Maciel Melo e a dupla de repentistas João Paraibano e Sebastião Dias, todos retratando o sertão alegre com seus costumes e sua natureza exuberante. A segunda parte do livro traz uma homenagem a quinze saudosos poetas, entre os quais Antonio Marinho, Pinto do Monteiro, Rogaciano leite, Lourival Batista, Manoel Filó, Jó Patriota.

Marcos é co-autor e organizador dos livros NOS PASSOS DA POESIA - de autoria de sua mãe, a poetisa Beatriz Passos, e da coletânea de galopes a beira-mar, com a presença de 60 poetas, intituladaAMORES PERFEITOS NA BEIRA DO MAR. Está preparando uma homenagem em prosa e verso a um dos maiores compositores nordestinos, Zé Marcolino. O livro trará o título CONVERSAS SEM PROTOCOLO.
Para a apresentação e o lançamento do livro o poeta marcos Passos contará com a participação luxuosa de poetas dos mais variados matizes, a exemplo de:

Gabrielle Vitoria de Lira (Luna Vitrolira), Recife, vencedora da 6ª Recitata - concurso de poesia do Festival Recifense de Literatura A Letra e A Voz, Free porto, Bienal do Livro 2009. Trabalha nas áreas de poesia, declamação performática, composição musical e atuação cênica.

Kerlle Magalhães Lima, Kerlle de Magalhães, Arcoverde-PE. Membro da União dos cordelistas de Pernambuco, fez seus primeiros cordéis aos vinte e um anos de idade, destacando-se: Em busca da chuva; O coice do preá; Lampião, arretado de escapulir torrão, entre outros

Poeta popular(declamador e glosador),Clécio Ferreira de Lima,Serra Talhada-PE. Mudou-se para Tabira aos 4 anos de idade, sendo praticamente criado nesta cidade. É músico percussionista, tendo preferência e domínio pelo pandeiro. Participou das 13º e da 15ª Mesa de Glosas do Sertão do Pajeú-Tabira-PE/ 2009 e 2011, Coletânea “Cem poetas sem livros” (Litera PE) /Recife-PE/2009 e no livro “1ª Antologia de Tabira – Prosa e Poesia”. Tabira-PE/2008.
A apresentação do evento ficará por conta do Profº Edison.
(Fonte: Blog No pé da parede)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lançamento: Nas Rédias da Poesia

Será no dia 23 deste mês (outubro), no Skina Club, a partir das 20 hrs, o tão esperado lançamento do livro do poeta Dudu Morais. O "Nas Rédias da Poesia" será a primeira obra desde grande poeta que vem surpreendendo todos com a facilidade com que faz poesia (e que poesia viu!).
Está na programação o cantor Fábio Luiz, o trio As Severinas, o grupo Pé de Parede (do qual Dudu faz parte), os poetas da APPTA e da AJUPTA e convidados.



Uma amostra dos versos do poeta:

No momento em que tudo silencia
Minha alma também fica calada
E assim, quase toda madrugada
a razão do meu ser se distancia

Muitas vezes fazendo poesia
Nossa história de amor é externada
E entre amante, mulher e namorada
Classifico você como o meu dia

O meu dia por que trás essa luz
Que ilumina minha vida e que seduz
Com a força que tem quando irradia

E uma noite de amor me faz depois
Delirar com os gemidos de nós dois
NO MOMENTO EM QUE TUDO SILENCIA.

(Dudu Morais)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Belas Tardes de Viola

Venha conferir mais um grande evento da nossa cultura, uma tarde de muita cantoria e declamações:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma Cara de Poesia & Uma Coroa de Sonetos

Lima Júnior é quem lhe convida:

Pontos de Vista, Giuseppe Ghiaroni



PONTOS DE VISTA


Na minha infância,quando eu me excedia
quando eu fazia alguma coisa errada
se alguém ralhava minha mãe dizia
... -Ele é criança, não entende nada!

Por dentro eu ria satisfeito e mudo.
Eu era um homem, entendia tudo.

Hoje que escrevo hitórias e poemas
e pareço ter tido algum estudo
dizem quando me vêem com os meus problemas:
-Ele é um homem,ele entende tudo!

Por dentro, alma confusa e atarantada
eu sou criança, não entendo nada. ...

(Giuseppe Ghiaroni)
O Cego, o Guia e Gonga Monteiro
 













Gonga Monteiro, grande poeta Tabirense, irmão de Dedé Monteiro, certa vez escreveu a história da esperteza de um guia e a inocência de um cego. Com seu humor ímpar, o poeta nos envolve com seus causos, que contam sempre com um final surpreendente, duvida? É só ler abaixo:

O CEGO E O GUIA


Um compadre meu um dia
Contou-me um caso engraçado
Dum ceguinho que pedia
Na calçada do mercado.
Passava o dia pedindo,
O povo entrando e saindo,
Quand’um não dava outro dava.
E ele, nos louvores seus,
Dizia: “graças a Deus!”
Quando uma esmola ganhava.

Mais ou menos meio dia,
O sol quente feito brasa,
As esmolas recolhia
Pra levar tudo pra casa.
Dava um assovio fino,
Aí chegava um menino
Que eu não sei donde saía
E, alguns minutos depois,
Dividia o saco em dois,
Um pra ele, outro pro guia.

Nos sacos tinha de tudo:
Milho, farinha, feijão,
Doce pequeno e graúdo,
Biscoito, bolacha e pão,
Manga, laranja, banana,
Uma garrafa de cana,
Não que o povo tenha dado;
É que o cego cachaceiro,
Depois que conta o dinheiro
Compra a cana no mercado.

Mas deixe a cana de lado,
Nenhum crime nisso eu vejo.
Na saída do Mercado
Ganharam um taco de queijo.
E o guia falou: “Ceguinho,
Quando chegar no caminho
Esse queijo a gente come?”
E o cego, de voz maneira:
“Na sombra da ingazeira
Vamos matar nossa fome.”

O guia era uma beleza:
Desenrolado e ladrão.
Se o patrão desse moleza
Ele roubava o patrão…
E como o patrão não via,
Foi então aí que o guia
Deu uma de espertinho,
Enganando o pobre cego,
Tirando o bucho do prego,
Comendo o queijo sozinho.

Chegando no pé de ingá,
Botaram os sacos no chão
E o ceguinho disse: “Vá,
Desamarre o matulão…
Tire esse queijo pra fora
Que eu acho que está na hora
De alimentar a matéria:
Você se fortificar
E eu também quero tirar
A barriga da miséria.”

O condenado do guia,
Se fazendo de inocente,
Virava o saco e dizia
Ao patrão deficiente:
“Pode ter acontecido
Desse queijo ter caído…”
E o cego, contrariado,
Ao sujeito respondia:
“Como é que o queijo caía
Se o saco estava amarrado?

Deixe de senvergonheza!
Conte o que aconteceu,
Que eu tenho quase certeza
Que foi você quem comeu!
Eu tava desconfiado
Que você vinha calado
Desde o centro da cidade…
Cabra da vergonha pouca,
Deixe eu cheirar sua boca
Que a gente sabe a verdade…

Aí o pobre do guia
Ficou sem jeito e sem clima,
Sem saber o que faria.
Pra dar a volta por cima…
Tirou a roupa ligeiro,
Colocou o “fevereiro”
Assim de boca pro ar
E cochichou em voz rouca:
“Tá aqui a minha boca,
Se quiser pode cheirar…”

O cego botou a venta
No fê-o-fó do rapaz,
Disse: “Eita coisa nojenta!
Tu tás fedendo demais!”
Depois disse assim: “Menino,
Eu a ninguém recrimino,
Cada um faz o que gosta.
Você não comeu meu queijo,
Mas pelo jeito que eu “vejo”,
Meu “fi” tá comendo é bosta!…”

(Gonga Monteiro)
Balaio Cultural de Tuparetama

Acontecerá hoje (dia 07/10) mais uma edição do Balaio Cultural de Tuparetama. Será uma festa com apresentações culturais diversificadas. Confira a programação no cartaz: