terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vem aí

I Festival de Cantadores do Pajeú das Flores com concurso de poesia e oficinas. O festival acontecerá em três etapas: Afogados da Ingazeira (dia 21/08), Tabira (dia 28/08) e em São José do Egito (dia 06/09). Além   das apresentações com os cantadores de viola, também acontecerá oficinas de poesia, gincana e um concurso de poesia.

As inscrições para a oficina e o concurso de poesia você pode fazer com o poeta Dedé Monteiro ou na loja Tend Tudo de Beta Pires.

(Clique na imagem para ampliar o cartaz)

Realização: Credipajeú, Empetur, Governo de Pernambuco e Sicoob Credipajeú.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

João Paraibano



João Paraibano nasceu em Princesa Isabel, na Paraíba, mas está radicado em Afogados da Ingazeira, em Pernambuco. João é cantador de viola, e para muitos hoje ele é imbatível quando o assunto da cantoria é o sertão, onde nasceu e foi criado. Entre os seus discos, destacam-se "Encontro com a Poesia" - com a participação de Valdir Teles, Sebastião da Silva e Sebastião Dias - e "A Arte da Cantoria" - com Ivanildo Vilanova.

Alguns improvisos avulsos de João:

Vi o fantasma da seca
Transportado numa rede
Vi o açude secando
Com três rachões na parede
E as abelhas no velório
Da flor que morreu de sede.

Terreno ruim não dá fruto,
Por mais que a gente cultive,
No seu céu eu nunca fui,
Sua estrela eu nunca tive,
Que o espinho não se hospeda,
Na mansão que a rosa vive.

A juventude não dá
Direito a segunda via
Jesus pintou meus cabelos
No final da boemia
Mas na hora de pintar
Esqueceu de perguntar
Qual era a cor que eu queria

Toda a noite quando deito
Um pesadelo me abraça
Meu cabelo que era preto
Está da cor de fumaça
Ficou branco após os trinta
Eu não quis gastar com tinta
O tempo pintou de graça

Coruja dá gargalhada
Na casa que não tem dono
A borboleta azulada
Da cor de um papel carbono
Faz ventilador das asas
Pra rosa pegar no sono.

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer
E rego com as próprias lágrimas
Pra ilusão não morrer.


Num certo pé-de-parede em julho de 2009 João Paraibano declama pra Jorge, a sua dupla:

Eu fico em sua direita
Pra que voce me conquiste
Deus rasga as trevas da noite
Pra que o mundo me aviste
Viola chora sem lágrima
Mas consola quem ta triste


No vídeo abaixo, os poetas repentistas Valdir Teles e João Paraibano em São Paulo na "Cachaçaria 500" glosando o mote:

“Deus me deu esse dom sem cobrar nada
se eu deixar de cantar é covardia”.

ENCERRAMENTO DA SEMANA DO EMPREENDEDOR INDIVIDUAL




Uma equipe do Sebrae esteve em Tabira ministrando durante uma semana cursos para incentivar o ingresso dos comerciantes locais à formalização, "Vai ficar mais simples obter crédito, tecnologia, exportar, vender para o governo, abrir empresas, se formalizar", explicou Auxiladora Silva, do Sebrae.
As atividades fizeram parte da Semana do Empreendedor Individual. A mobilização nacional incentiva a formalização de profissionais por conta própria e capacita quem já é registrado. Os poetas Dedé Monteiro e Dudu Morais juntamente com o Grupo Pé-de-parede, agradeceram em versos ao Sebrae.
Além de partidipar declamando Dudu também fez um cordel que aborda todos os aspectos desse projeto:


TABIRA DE PARABÉNS,
POR TUDO QUE ELA TEM!
ALÉM DE CHÃO DA CULTURA
TABIRA FOI MAIS ALÉM...
E O SEBRAE NESSE MOMENTO
PRA TERRA DOS 100%
ATRIBUIU NOTA 100!

O SEBRAE TEM UM PAPEL
MUITO MAIS QUE ESPECIAL,
QUE ALÉM DE DAR BENEFÍCIOS
COM O SIMPLES NACIONAL,
TERÃO REGRAS A FAVOR
DO MICROEMPREENDEDOR
MESMO O INDIVIDUAL

EM 2008 LULA
FEZ ALGO EXTRAORDINÁRIO
DEFINIU IMPOSTO ZERO
PARA O PEQUENO EMPRESÁRIO
DISCUTIU PONTO POR PONTO
E UM PEQUENO DESCONTO
DO MONTANTE DO SALÁRIO

A LEI 128
TEVE ALCANCE NACIONAL
E TABIRA PROCURANDO
FOMENTO EMPRESARIAL,
VISANDO EMPREENDIMENTOS
SANCIONOU A LEI 600
PRA ACATAR A LEI GERAL

ASSIM TODO TABIRENSE
QUE PROCURAR INVESTIR,
ABRIR SEU PROPRIO NEGÓCIO,
DEPOIS DE ABERTO EXPANDIR
TERÁ A PLENA CERTEZA
QUE OS DIREITOS DA EMPRESA
ESSA LEI VAI GARANTIR

ALÉM D'OUTROS BENEFICIOS
QUAIS DIREITOS SOCIAIS,
PREVISTOS NA CARTA MAGNA
ART. 7º E DEMAIS
SÃO PREVISÕES GARANTIDAS
DESDE QUE SEJAM CUMPRIDAS
AS EXIGENCIAS LEGAIS



O FUNCIONAMENTO CERTO
CNPJ FEITO,
ALVARÁ DE PREFEITURA,
UM CRÉDITO MAIOR ACEITO.
CADA QUAL BUSCA UM SERVIÇO
MAS SÓ TEM DIREITO A ISSO
QUEM FUNCIONA DIREITO

PALESTRA DE ATENDIMENTO,
COMO SER EFICIENTE,
SOBRE GESTÃO FINANCEIRA,
VITRINE, MARKETING E CLIENTE.
TERÁ UM DIAGNÓSTICO
E PRA UM MELHOR PROGNÓSTICO
O SABRAE SERÁ PRESENTE

ASSIM TABIRA AGRADECE,
AOS PLANOS FOMENTADORES
PELO ESPAÇO QUE É DADO
PARA O PAJEU DAS FLORES
E ALGUÉM DIRÁ UM DIA:
-A TERRA DA POESIA
DOS MICROEMPREENDEDORES.

(Dudu Morais)

sábado, 13 de agosto de 2011

A Arte do Trovador

Um dos estilos mais difíceis de escrever poesia é a trova. A trova consiste em uma estrofe com apenas quatro versos (quatro linhas), esta estrofe tem que ter sentido completo (começo, meio e fim), e é aí que mora a dificuldade, pois é pouco espaço pra falar sobre algo.

Abaixo segue algumas trovas do poeta Ailton Sales, um grande trovador mineiro que conheci pelo orkut na comunidade "Filosofia, prosa e poesia".


Saudade é brasa apagada
Debaixo da cinza quente
Basta uma leve soprada
E ela acende novamente

Se o sofrimento o tortura
Sofre calado e confia
Porquê após a noite escura
Surge sempre um novo dia

Novos sóis se revelando
Na imensidão do infinito
Cada vez mais aumentando
A fé no Deus que acredito

Aquele amor do passado
Que ficou só na lembrança
Tenho o seu nome guardado
No cofre da esperança

Dos erros do meu passado
O maior seja talvez
O de nunca ter lutado
Contra a minha timidez

Meu sofrer eu reconheço
É a duvida sem fim
Se a mulher que não esqueço
Ainda se lembra de mim

(Ailton Sales)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Giuseppe Ghiaroni


A ESTUDANTE, A CASADA E A PERDIDA

Num tempo que vai longe em minha vida
E que eu lembro muito bem mesmo distante
Três amores eu tive: uma estudante
Uma mulher casada e uma perdida

A estudante eu amava afoitamente
Antes da escola mal o sol nascido
A casada na ausência do marido
E a perdida depois do expediente

Era no tempo das imagens belas
Escrevi um poema certa vez
Um poema inspirado em uma delas
Mas fiz três cópias para dar as três

E as três choraram de emoção profusa
Cada qual se sentindo retratada
Cada qual chorou lágrimas de musa
A estudante, a perdida e a casada

Assim algo encontrei de semelhante
Nos diversos amores desta vida
Que a casada tem algo da estudante
E que as duas têm muito da perdida.

(Giuseppe Ghiaroni)
Pérolas do Improviso

Certa vez os três irmãos, Dedé, Gonga e Paulo Monteiro, estavam limpando mato no roçado de um tio deles e, como o terreno era muito pedregoso, vez por outra as inchadas batiam numa pedra fazendo aquele barulho agudo que dava pra escutar de longe, dai Gonga improvisou:

Quando é tempo de inverno
Canta alegre a passarada
Quem passa na estrada escuta
Da beirada da estrada
A música que as pedras tocam
No violão da inchada

Quando terminou de dizer esse verso, Dedé vinha ao seu lado, cada qual limpando uma carreira, nisso tinha um pé de mato que estava mesmo no meio de duas carreiras. O pezinho estava na mesma distância pra os dois, foi quando, por acaso, uma inchada chocou-se com a outra fazendo um tinido, ai foi a vez de Dedé:

Mas quando a luta é pesada
Na hora do sol mais quente
Um não quer ficar atrás
Outro quer passar na frente
Uma inchada bate noutra
E a cantiga é diferente

Coisas de Poeta...
O Soneto e o Poeta

Com vocês, Dedé Monteiro:



SONETO DA REVOLTA

Que culpa tenho de ser diferente
Amar as artes porventura é crime?
Tudo é mutável e o irreverente
Não se acostuma com qualquer regime

Contra a vontade rude e indiferente
Eu sou amante do sagrado time
Que empresta a alma sofre, cria e sente
E sente nojo do poder que oprime

Aprendam isto: gente não se doma!
Pichem meu nome rasguem meu diploma
Aceito tudo com tranquilidade

Se acharem pouco, cubram-me de lodo,
Cortem meu riso, me excomunguem todo!
Só não me toquem na dignidade.

(Dedé Monteiro)



MAIS UM TRONO DE REI NO PARAÍSO

“Lourival, zig-zag do repente”,
Disse alguém, certa vez com muito brilho
E ao dizer, fez justiça, realmente,
À grandeza sem par deste “andarilho”!

Não é só da família a dor presente
Nem é só São José que perde um filho
O Nordeste, enlutado como a gente,
Chora a perda do “Rei do Trocadilho”,

Neste instante, talvez a dor mais plena
Seja aquela que n’alma de Helena
Companheira no pranto e no sorriso!

Mas no céu há poetas festejando
Com “José Carpinteiro”, fabricando
MAIS UM TRONO DE REI NO PARAÍSO

(Dedé Monteiro)




VOLTEI DE NOVO

Voltei de novo, São José da arte,
Pra, num abraço em tua gente amiga,
Humildemente reverenciar-te
E carimbar nossa amizade antiga!

Voltei de novo, que a saudade obriga,
E eu não podia, enquanto o tempo parte,
Lançar um livro e não apresentar-te.
Seria ofensa das que Deus castiga.

Voltei de novo pra estreitar os laços
Com “Patriotas”, com “Marinho” e “Passos”,
Gente que passa e se transforma em mito!

Voltei de novo, terra de Vinícius,
Pra te dizer, sem precisar comícios:
Eu te admiro, São José do Egito!

(Dedé Monteiro)